Arquitetura _ 28 novembro 2025 _ por Sérgio Zobaran

Dado Castello Branco: Luz, materiais, horizontes

O arquiteto paulistano celebra mais de 30 anos de trabalho com projetos de ambientes com atmosfera acolhedora por meio da sensibilidade, arte e rigor estético

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Aos 30 anos de carreira, o arquiteto Dado Castello Branco reflete elegância pessoal e profissional na casa de arquitetura e interiores atemporais que projetou, e na qual vive com a família há quatorze anos, no bairro Jardim Paulista, em São Paulo. Ali, vida e obra se unem e demonstram um estilo único que é reconhecido - desde sempre - exatamente pelo jeito quieto de ser luxuoso, bem antes desta recente tendência surgir. E é através de uma neutralidade própria, voluntária e determinada na concepção de cada projeto que Dado ganha seu reconhecimento em espaços que traduzem afeto e (boas) memórias. Uma delas - e das que mais o alegra - é a coincidência de que tanto seus pais, nos anos 1970, quanto ele próprio nos anos 1990, quando recém-casado e, agora, de uma das filhas, terem todos escolhido a mesma cidade de Paris para morar e/ou estudar. No caso dele, pai - Dado lá se formou pela École Speciale d’Architecture, depois de ter feito a Belas Artes em São Paulo - e filha, na mesma área de arquitetura e arte, a que os integra. Arte é, sem dúvida, preferência e expertise de Dado, que vai apresentando na própria casa uma coleção de fôlego em que despontam nomes de grandes damas nacionais/internacionais como Beatriz Milhazes e Adriana Varejão, e também obras das estrangeiras Mira Schendel e Anna Maria Maiolino, que aqui se radicaram, além de fotógrafos como Otto Stupakoff, Bob Wolfenson, Claudia Jaguaribe, entre outros masters. Também chama a atenção para algumas das joias do design próprio da família, como o oratório de sua autoria para Etel (para quem já desenhou também cadeira, aparador e até mesa de pingue-pongue), e uma poltrona ainda inédita, de autoria do seu filho e também arquiteto Guilherme Castello Branco - esta peça específica criada a quatro mãos com um nome mítico da estética e que terá lançamento em breve - para a Jequitibá, uma nova marca de design que o jovem colega lançou. Neste ano em que Dado comemora o marco de três décadas de trabalho, ele empresta o apelido que tornou famoso para o título de seu terceiro livro, “Dado”, que acaba de ser publicado pela editora italiana Rizzoli. Mais do que uma coletânea de registros fotográficos de projetos recentes, a obra sintetiza os pilares que sustentam sua arquitetura: luz, materiais, horizonte e arte. Esses elementos encontram-se naturalmente em realizações que demonstram a sua expansão criativa internacional por cidades como Londres, Paris, Miami, Nova York e Filadélfia, além de sua querida Lisboa e arredores - no momento desenvolve projetos para dois apartamentos no Chiado e constrói duas casas em Cascais. Ao receber em casa a Flo, Dado demonstra in loco seus pensamentos e ações - “sem medo de errar”, em suas próprias palavras. E deixa claros, literalmente, os caminhos por onde andamos, desde a grande e proposital entrada de luz da área externa com jardins e piscina, revelando ao máximo os “horizontes” externos, ainda que se encerrem nos muros da casa: “Gosto de chegar e enxergar - não gosto de obstáculos entre você e uma vista”, reitera. As cores mais fortes e destacadas, por seu gosto a partir especialmente do azul, são também um caminho traçado pelo arquiteto, apesar do predomínio do branco que traz no nome e na prática. E os materiais, para Dado, são preferencialmente poucos e não seccionados e “não consigo destacar a decoração da arquitetura”, diz ele, que completa: “gosto fazer uma casa a partir do zero; curto interpretar a realização de um sonho”.