Pablo Atchugarry: "A beleza nos aponta um caminho"
Além de criar esculturas abstratas que desafiam a rigidez do mármore, escultor uruguaio Pablo Atchugarry colocou o Uruguai no circuito internacional de arte contemporânea com o MACA.

O escultor uruguaio Pablo Atchugarry é referência internacional na escultura abstrata contemporânea. Conhecido pelo trabalho em mármore, Atchugarry também cria formas elegantes em outros materiais. São peças verticalizadas, resultado, segundo ele, de um processo em que o figurativo foi sendo sintetizado. “A verticalidade é essência do ser humano”, diz o artista, cuja obra pode ser encontrada de forma ampla e acolhedora no museu que ele criou em Punta del Este – aliás um ponto obrigatório para quem viaja ao balneário uruguaio. Nascido em Montevidéu, mas dividindo seu tempo entre a Itália e o Uruguai, Pablo iniciou sua trajetória pela pintura, incentivado pelos pais, que cedo identificaram sua inclinação artística. Aos poucos iniciou experimentos com outros materiais até chegar ao mármore. E suas obras hoje desafiam a rigidez do mármore. “É preciso buscar dentro de si e não fora”, afirma o artista, que cita Dostoiévski – “A beleza salvará o mundo” – para ressaltar que se emociona com a beleza. “Ela nos aponta um caminho”. Desde que “descobriu” o mármore, no fim dos anos 1970, durante uma temporada na Itália, Pablo Atchugarry estabeleceu uma relação intensa com a nobre rocha – mas não com ela. Os críticos festejam as possibilidades alcançadas por suas esculturas que, em vez de representação figurativa, apresentam “volumes alongados, ritmos ascendentes e formas orgânicas que criam uma tensão permanente entre matéria e leveza”. A partir da fundação que leva o seu nome, o escultor criou em Punta del Este (departamento de Maldonado) o Museu de Arte Contemporânea Atchugarry – MACA -, espaço dedicado às artes visuais contemporâneas que alia exposições de artistas uruguaios e internacionais a um acervo de esculturas integradas à paisagem. O MACA é hoje um dos mais importantes centros culturais do Uruguai. Para Atchugarry, é o espaço dos sonhos. Os artistas são acolhidos e o público pode encontrar obras de artistas de diferentes épocas e regiões. “A conexão entre os artistas foi surgindo à medida em que a coleção foi crescendo”, destaca o escultor. Com exposições temporárias, programação educativa e atividades dirigidas a artistas, estudantes e professores, o museu procura aproximar diferentes públicos da criação contemporânea. O edifício, projetado pelo arquiteto uruguaio Carlos Ott, foi pensado para dialogar com a paisagem e com o parque de esculturas que o circunda. Mas sua importância ultrapassa a dimensão arquitetônica. Ao proporcionar visibilidade a artistas uruguaios e estrangeiros e criar conexões entre circuitos locais e internacionais, a instituição contribui para ampliar a circulação da produção latino-americana. Como afirma no vídeo abaixo, o próprio Atchugarry muitas vezes se surpreende com o resultado – do seu envolvente trabalho artístico e do majestoso empreendimento que ergueu. “Mas o mais importante é continuar trabalhando”, finaliza.